quarta-feira, 4 de março de 2009

nessa sua vida torta, sou reta feito poste.
só enxergo as coisas que estão debaixo do meu nariz:
uma pedra,uma moeda,uma foto três por quatro.

tudo o que não te faz mais falta.
ela pediu que seu chico de assis
assitisse por seu bichinho:

tinha um pássaro de uma asa só.

ao anoitecer,chorava manso uma oração
que não lhe pertencia.

- são francisco, dê uma asa pra quem
quer voar.

aos outros, basta ter pés no chão.
caí numa só vertigem:desacreditei da poesia e me refiz
em prosa.
toda concreta e cheia de pudores.

continuo tonta:
paredes de tijolos me zangam a visão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A inexpressividade de cada canto da sua face,de cada detalhe de seus gestos,o transformava em uma pessoa isenta de vida.

Sua fala era nula,e todo mais que o compunha.

A alimentação de recortes de jornal era engolida a seco,
com eco,
sem estro.

E em cada perspectiva de seu ser havia uma cor opaca,
inexpressiva
e real.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

era bem estranho se sentir tão apática diante de situações repletas de vida.
não era como se tivesse perdido algo,mas sim ganhado.
havia ganhado desinteresse pelas coisas mundanas e do âmago - nada mais lhe importava.


e,com esse novo jeito de ver e não-sentir,ela começou a percorrer um novo caminho, no qual ela mesma já não existia.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Todo final do velho e começo do novo é a mesma coisa: listas de promessas,desejos e sementes de romã.Ano Novo é época de esperança verde,acessório vermelho e fé que seremos melhores,moderados ou ousados,magros e cheios de amor.Ao contrário da maioria das pessoas,não faço listas ou oferendas.Em compensação,faço uso e abuso desses artifícios(ou seria subterfúgios?) ao longo de todo ano.A tradição que me desculpe,mas qualquer lista em qualquer data tem valor: nunca é tarde para mudar,fazer e acontecer.Por isso,acreditem em qualquer pedido e sonho,seja em um papel dobrado na carteira ou pregado por um ímã no seu mural.

- para o tudo de blog

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Para mim,perdoar não significa ter sangue de barata ou falta de amor próprio.Acredito que perdoar seja abstrair certas coisas,relevar.Dar uma segunda,uma terceira,uma quarta ou até oitava chance, se for preciso.Um limite existe sim,mas não um limite de perdão.Na verdade,nao chega nem a ser limite - é mais questão de conseguir ver o que deve ser levado a diante e o que já esgotou seu tempo,a validade e,principalmente,a qualidade.Se a pessoa vale a pena,se a alma não é pequena,que mal existe?Todo mundo comete erros.Mas se for ao contrário - vá lá - perdoe,tira o peso que faz mau para o corpo,para a alma,para a mente - peso daqueles que dá queimação no estômago - e, simplesmente, procure estar perto de quem te faz bem e que relevaria suas mancadas,patadas e grosserias,duas,três,quatro e até oito vezes,se fosse preciso.

- para o tudo de blog.